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Leitor descreve porque ele ama morar no centro de São Paulo

Leitor descreve porque ele ama morar no centro de São Paulo

Esse mês fez um ano que estou morando no centro de São Paulo. Me mudei para um prédio revitalizado pela Centro Vivo próximo ao largo do Paissandu. Antes eu morava na avenida Brigadeiro Luís Antônio, na região dos Jardins.

Ao longo desse um ano, respondi diversas vezes as mais variadas perguntas de amigos, conhecidos e familiares, sobre por que decidi morar no centro.

"Mas não é perigoso? É sujo? E os moradores de rua? E a cracolândia? Mas e o barulho? Você não tem medo de ser assaltado? De noite não fica vazio?"

Minha primeira resposta sempre é: "Eu amo morar no centro de São Paulo". E amo mesmo. Mas, sim, é perigoso, como todo centro de uma grande metrópole.

Nunca fui assaltado, mas estou sempre alerta. Sim, há muitos moradores de rua. Você passa a conviver com eles e percebe que ali realmente se transformou na casa deles. Passa a conhecer cada um e saber como será abordado por eles.

Sim, é sujo. Todo tipo de sujeira. Existem lugares em que os odores são insuportáveis. Tem muito lixo. Nem sempre o sistema de coleta é eficiente. E alguns moradores de rua espalham o lixo na busca por comida e outras coisas.

A cracolândia também está lá. Ela não é mais uma região, mas um estado de espírito. Com as intervenções que sofreu em 2012, ela se espalhou inclusive por outros bairros da região. Existem craqueiros por toda parte. São fáceis de reconhecer. Vez ou outra, passando de táxi pela rua Vitória, entre a São João e a Rio Branco, encontramos multidões de craqueiros.

Semanalmente tem também a Feira do Rolo. Nela você pode encontrar a maior variedade de artigos roubados por preços módicos. A feira acontece só até a polícia aparecer na esquina.

Além de tudo disso, há ainda diversas ocupações. Prédios antigos, que estavam abandonados, ocupados por pessoas que tentam levar uma vida como você e eu, mas que não tem condições de alugar um apartamento decente nesta cidade cada vez mais cara. Famílias inteiras dividem um único cômodo, muitas vezes dividindo esses pequenos espaços com outras famílias.

Porém, eu ainda acho que o centro é um ótimo lugar para se viver. Temos transporte para todos os lados, endereçados a todas as regiões da cidade. Além dos ônibus, são três linhas do metrô - amarela, vermelha e azul.

Existem largos e praças - Paissandu, Patriarca, República, Roosevelt, Arouche, Sé, etc.

Diversos serviços são 24 horas - McDonalds, bares, cinemas pornôs, Habib's e outros.

A Paulista está a uma caminhada de apenas 35 minutos. Temos a 25 de Março, a Santa Ifigênia, a Pinacoteca e a Sé. O Sesc Consolação é logo ali. Em breve teremos o Sesc 24 de Maio.

É uma oportunidade de conviver com alguns dos prédios mais charmosos da cidade. O Vale do Anhangabaú é sempre palco de eventos muito legais.

Os governos estadual e municipal estão investindo em novos empreendimentos culturais como a Praça das Artes, o Teatro da Dança e o Circo Escola.

Tem comida boa e barata (o ITA Comida Caseira é um dos pf's mais gostosos da cidade e fica próximo ao meu prédio). Há todo tipo de comida étnica (vide PASV, Rinconcito Peruano, Almanara, Acrópoles, La Farina, Sukiya e outros). A Casa da Mortadela fica a uma quadra de casa.

O centro está muito bem iluminado. Tem bancas de revista 24h, Theatro Municipal e o Centro Cultural do Banco do Brasil. O Copan e sua padaria estão ali também, sem falar na Biblioteca Mário de Andrade. O lanchonete Estadão sempre aberta. O charmoso Cine Marabá com os melhores preços da cidade.

Como se não bastasse tudo isso, o apartamento em que vivo tem o pé direito alto, voltado para o miolo da quadra, é extremamente silencioso, amplo e aconchegante.

Aqui tem gente de verdade. Gente diversificada. Ninguém é igual. Pessoas de todo o mundo estão ali. Italianos que projetam filmes em lajes. Portugueses interessados na arquitetura e na diversidade. Nigerianos, coreanos, bolivianos, argentinos, angolanos, americanos, franceses. Baianos, gaúchos, amazonenses, paraenses, cariocas, capixabas, rondonienses, mato-grossenses, pernambucanos e potiguares. Gente de todo o país. De todo o mundo. Todos em busca de um lugar ao sol.

Postado por: Centro Vivo
Fonte: Rafael Matrone Munduruca Leitor do Folha de São Paulo

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